Trabalho com diversidade e equidade há duas décadas e posso dizer com certa segurança que nunca vi um junho tão colorido. Marcas de cremes, perfumes, comidas, bebidas, roupas, móveis mandaram ver nas seis cores e, de repente, havia arco-íris pra tudo quanto é lado.
Se à primeira vista isso é bom – e de fato pode ser um ganho para nossa comunidade -, por outro lado, além de um possível oportunismo, ações de comunicação como essas não devem ser isoladas e deslocadas de ações internas. Ou seja, se as empresas estão estampando aberta e largamente arco-íris nas suas campanhas, o mesmo frenesi para contratação, retenção e ascensão de pessoas LGBTQIA+ deve ser observado da porta pra dentro.
Costumo dizer que as ações de comunicação são – ou deveriam ser – o reflexo do que se passa da porta pra dentro: comunico o que faço e não o que não faço e ganho comunicando. E esse ponto é fundamental para refletirmos. Diversidade, inclusão, equidade nunca estiveram tão em voga nos meios corporativos. A imagem da pluralidade humana virou commodity em tempos em que produtos e pessoas se misturam e se fundem nas redes sociais.
Me pergunto o que de fato ficará como legado para as pessoas LGBTQIA+ a partir de primeiro de julho. Me pergunto também, nos demais meses do ano, o que as marcas e empresas farão de concreto para incidir positivamente para a melhora da condição de lésbicas, gays, bis, pessoas trans e queers, pessoas intersexo e assexuais.
Espero mesmo que estejamos testemunhando uma mudança de paradigmas e um grande ajuste de lentes e não um mar cheio de surfistas que nos próximos dias irão pegar onda em outras bandas.
