De alguns anos para cá, estamos começando a compreender a importância e necessidade do uso menos generificado da nossa linguagem, utilizando maneiras de driblar os pluralismos que jogam quase tudo para o masculino. E apesar de muita gente achar que é um grande desserviço sem sentido, estamos finalmente chegando a uma discussão mais madura para o assunto, afinal, quem é da comunicação como eu, sabe do poder das palavras no imaginário de uma sociedade. Tudo deve ser aperfeiçoado com o avanço da nossa cultura e das demandas da população, até nossa linguagem.
Mas o uso do X ou @ nas palavras resolve isso? A resposta é não. O intuito é de representatividade, mas aqui caímos na exclusão de um outro lado, o das pessoas com deficiência visual que utilizam programas de leitura de textos, os programas não são capazes de identificar e ler as palavras com o uso do X ou @. Além disso, adultos e crianças em fase de alfabetização e pessoas disléxicas também podem ter dificuldade em ler o X ou @ no meio de uma palavra. O objetivo do uso da linguagem neutra de gênero é incluir todas as pessoas, se o X e @ causam exclusão ele deve cair em desuso.
Então o que devemos utilizar? A melhor forma, em um momento em que boa parte da população ainda não é capaz de entender a linguagem neutra e ainda não aprofundamos no assunto, é evitar generificar (generificar: deixar uma palavra no masculino para tratar de um plural de pessoas), ou, se não tem outra palavra para trocar um termo no masculino, é sempre possível colocar “pessoas” na frente, por exemplo: ao invés de usar “gestores” posso usar “pessoas gestoras”, “os colaboradores” posso trocar por “pessoas colaboradoras”. Mas também podemos utilizar o “e” no lugar do “o” ou “a”, essa é a forma ideal do uso da linguagem neutra de gênero, avançarmos para termos palavras plurais sem gênero: “todes”, “brasileires”, “engenheires”. O termo utilizado para essa nova forma de utilização da gramática já foi cunhado, é neolinguagem, e se conceitua como uma proposta de pensarmos em alternativas para criarmos uma linguagem sem associação a nenhum gênero.
Com isso, além de incluirmos pessoas não binárias, também mostramos que estamos atentes para a representação das mulheres e não excluímos ninguém!
